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22.9.07

Privatizando a Amazônia.


Na cara dura, o governo anunciou nesta semana seu mirabolante plano para salvar a Amazônia: privatizá-la. Isso mesmo! O que o governo do partido dos companheiros, tão avesso à privatização - aliás, como à todo o restante das práticas de outros partidos que acabou incorporando, aprimorando e ainda reclamando a autoria - acaba de anunciar, não pode ser chamado de outro nome senão de a privatização da Amazônia.
 
É mais do que preocupante. Há pouco, sob orientação desse mesmo governo, o Brasil se declarou favorável ao reconhecimento de nações indígenas praticamente autônomas, dentro das quais nem mesmo as Forças Armadas poderão agir... Ainda não é lei. Ainda. Considerando que quase 10% do território nacional já é composto de reservas, coincidentemente instaladas em pontos geográficos estratégicos ou sobre imensas jazidas, dá para imaginar o que pode acontecer em um futuro não muito distante: Já pensou? A "República Bolivariana Raposa Serra do Sol", por exemplo, seria um magnífico exemplo de democracia e "socialismo". Afinal, se o "índio cocaleiro" pode conduzir a revolução bolivariana na Bolívia, qualquer outro índio também o poderá, não? Não vão faltar repúblicas...
 
Voltando à Amazônia, seria cômico se não fosse trágico. O plano mirabolante é permitir o "manejo sustentado" que pressupõe a extração de madeira, entre outras atividades. Lógico, tudo controlado pelo governo. Por esse mesmo governo, que não consegue controlar absolutamente nada na situação atual, da biopirataria ao tráfico de drogas e invasão por narcoguerrilheiros, passando por queimadas, grilagem, desmatamento, extração ilegal e contrabando de madeira, pedras preciosas e ouro.
 
Apesar disso tudo, o governo achou a solução: leiloar a guarda de lotes da Amazônia para a iniciativa privada... E eu que achava que eram lorotas as histórias de ONGs estrangeiras que arrecadavam fundos para "comprar" a Amazônia... Ótimo negócio, esse!!!
 
Sou favorável à privatização. Incondicional. Deveria restar ao governo apenas as funções legislativas e judiciárias, policias, forças armadas e agências regulatórias. Nem educação, nem saúde, nem previdência... Quanto menos governo, menos impostos, menos corrupção. Entretanto, nesse caso em específico, duas coisas chamam a atenção: a naturalidade com que os outrora anti-privatistas anunciaram a solução mágica, e a excessiva confiança no sucesso do processo todo, como se fosse a coisa mais simples e natural possível. Algo assim como o famoso ovo de Colombo, que só não foi implementado por governos anteriores por incompetência e falta de vontade política.
 
É o governo Lula, tão original, privatizando a Amazônia!

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