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21.8.17

20-08-2017 - 30 Anos de Rogéria & Luís

Minha singela homenagem à minha princesa, amor de minha vida, e ao nosso eterno amor:

The final judgement

Ouço cada vez mais na 'lida diária' sobre o tal amadurecimento nas relações de trabalho, a humanização das empresas e a grande evolução dessa convivência entre 'empregado e patrão'.

É algo curioso: as empresas exigem de seus colaboradores nada menos que comportamento ético, honestidade, fidelidade, lealdade, transparência, disposição para o que der e vier, cordialidade no tratamento com os subordinados, pares e superiores, além, é óbvio, da competência e qualificação. Ok! Tudo isso é importante e muito pertinente. Mas e a recíproca? Seria essa mais uma 'via de mão única'?

A bem pouco tempo participei de um processo no qual, inicialmente, estava muito bem posicionado. Inexplicavelmente, entretanto, houve aquele 'esfriamento' nos contatos e a coisa toda deu em nada. Depois vim a saber que isso se deu por causa de 'informações negativas' a meu respeito obtidas em consulta a uma empresa para qual eu havia prestado serviço anteriormente. Como não gosto de deixar as coisas nesse estado, fui pesquisar. Apurei que a empresa que dera essa informação já havia me recomendado muito bem, anteriormente, mesmo sendo para uma concorrente sua! Qual fora então o motivo da 'mudança de opinião' ? Simples: no exercício de minha profissão, ajudei a 'concorrente' - para a qual eu agora trabalhava - em uma concorrência, na qual aquela - a das 'informações negativas' - também competia... Pode? Que grande pecado, não? E a ética? E os valores?

Agora, mais recentemente, um amigo bem próximo, depois de 'gozar' as merecidas férias, e retornando 'com todo o gás', recebeu o bilhete azul. Demitido. Isso também já aconteceu comigo. Daí pergunto: porquê fazer alguém sair de férias, 'gozar' suas férias, para depois informar-lhe da sua demissão? Há alguma economia nisso? Não seria o mais adequado informar o 'futuro demitido' antes, para que o mesmo usasse as férias em busca de recolocação, mesmo sendo isso algo desagradável? E ainda mais: por telefone!

São algumas coisas que não consigo entender, entre tantas outras. O porquê de, somente no momento da demissão, ser apresentada a 'ficha corrida', a relação de todos os 'pecados' do cidadão na outrora agradável convivência com a empresa. A cena toda fica parecendo o juízo final, o ' The Final Judgement', e o infeliz demissionário parece caminhar célere para o fogo eterno naquele momento...

E por telefone? Por e-mail? Seria para evitar o excesso de pessoalidade no tratamento. "Olha, meu caro, não sou eu, é a empresa que está te demitindo...", como se a empresa fosse um ser vivo com vontade e atitudes próprias...

Meus caros amigos da área de RH, por favor, me respondam: demitir por telefone ou e-mail, ou logo após o retorno das férias, ou na sexta-feira à tarde, ou no último dia do mês... Apresentar, nesse momento - e somente nele - a lista de erros cometidos... Caluniar, injuriar e difamar de maneira sórdida e rasteira, sob a cortina de proteção do anonimato... Essas e outras práticas ajudam a reforçar os laços deste complexo relacionamento? Que tipo de comportamento essas atitudes vão inspirar nos colaboradores dispensados e naqueles que permanecem?

Acredito sinceramente que não sejam práticas correntes de empresas e instituições que sejam dignas de receber esta denominação. Mas são reais. Isso é fato.

Com a palavra, os especialistas e os responsáveis...

11.5.17

Não, não vou me calar!

O dia de ontem, 10/05/2017, foi sui generis e muito importante, embora o evento do depoimento do Lula em si não se tratasse de nada absurdamente normal, como fez questão de ressaltar o próprio Juiz Sérgio Moro.

As redes sociais e a mídia tentaram e mostraram uma “polarização”, tal qual nas últimas manifestações e no processo de impeachment. O presidente Michel Temer criticou essa polarização dos nossos dias, chamando-a de “embate permanente”, e pedindo o fim da “raivosidade” da sociedade, que seria uma forma de pacificar o país...

Alguns amigos também fizeram questionamentos à minha postura de enfrentar o debate, contra argumentar e gerar polêmicas inúteis com pessoas que não estão dispostas a enfrentar a realidade e aceitar a verdade: que fomos assaltados por uma cleptocracia que corrompeu os fundamentos de nossa sociedade e de nossa nação.

Pois bem. Toda essa atmosfera me fez pensar novamente a esse respeito, pois há algum tempo eu próprio já vinha me questionando: vale a pena? Compensa enfrentar incansavelmente as mentiras e as meias-verdades, as respostas corretas para as perguntas erradas, o cinismo, a arrogância, a desfaçatez e a completa falta de caráter de alguns próceres, que permeiam todo o tecido social e ecoam no discurso vazio e robotizado de boa parte do povo brasileiro, dos mais cultos e intelectuais aos mais humildes?

Há algum tempo eu assisti pelo Youtube a uma audiência do Papa Francisco, na qual ele ressaltava o dever cristão de participar da Política – com “P” maiúsculo - ou seja, buscar o interesse de todos, o bem comum. Segundo Sua Santidade, esta seria a maneira mais nobre e efetiva de praticar a caridade, uma das maiores – senão a maior – virtudes cristãs. E eu concordo. A boa política visa o bem comum, o bem de todos!

Algumas palavras de personagens da história – e da minha história – também fizeram parte dessa reflexão. Entre elas, a de Martin Luther King: “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons. ”.  Lembrei-me de uma música dos tempos do grupo de jovens na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Varginha: “O profeta”, baseado na passagem do Profeta Jeremias (Jr 1,5):
Tenho de gritar, tenho de arriscar, ai de mim se não o faço!
Como escapar de Ti? Como não falar se Tua voz me queima dentro?
Tenho de andar, tenho de lutar, ai de mim se não o faço!
Como escapar de Ti? Como não falar? Se Tua voz arde em meu peito.

Também fez parte desse momento a passagem do procurador Deltan Dallagnol em seu livro, na qual refere-se às suas experiências frustradas de ver prevalecer a justiça, e a súbita vontade de desistir. Quase que uma reprise do “Triunfo das Nulidades”, de Ruy Barbosa, texto ao qual meu pai sempre se refere quando falamos de política... Uma amiga minha chamou-me a atenção pela paciência e frieza do juiz Sérgio Moro no interrogatório do Lula, insistindo e persistindo perante a desfaçatez e empáfia do fulano...

Tudo isso junto e misturado só fez reforçar minha convicção de que não podemos desanimar: foi justamente por confundir a política com civilidade – sim, um de seus sinônimos – que deixamos a gritaria dos poucos maus (enganados, auto enganados, ou simplesmente pilantras mesmo) prevalecer sobre o silêncio da imensa maioria dos bons, reforçando o discurso de Luther King. Como já dizia o famoso Marquês de Maricá, “Aprovamos algumas vezes em público por medo, interesse ou civilidade, o que internamente reprovamos por dever, consciência ou razão”.

Não, não vou me calar. Vou enfrentar até o fim dos meus dias a mentira, a falta de caráter, a corrupção. Para os desavisados ou dissimulados, incluídos aí V. Excia., o presidente Temer, não se trata de ódio ou “raivosidade”, mas de indignação. Afinal, como disse Santo Agostinho, “A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”. Não me faltam motivos para a indignação, e não me falta coragem para enfrentar a longa e árdua batalha à qual me lancei! 

E, para finalizar, mas também justificando minha tomada de posição e tentando motivar todos aqueles que ainda permanecem na dúvida ou na “zona de conforto”, vai aqui outra citação que conheci no maravilhoso filme "Tears of Sun" - Lágrimas do Sol (2003), com Bruce Willis e Mônica Bellucci, que ao final exibe a frase de Edmund Burke (1729 - 1797) “Para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada.”

21.1.17

Dancin' Days e meu primeiro contato com a corrupção.

O ano era 1979, e o mês, março. Recordo-me claramente de estar na sala da 8ª série B, última sala na ala direita da Escola Estadual Deputado Domingos de Figueiredo, o "Industrial", de Varginha. O ano letivo mal começara, e eu tinha novos colegas de classe que ainda nem conhecia.

Naquela manhã, Dona Aída, a secretária da escola - uma senhorinha de pouco mais de um metro de altura, mas cujo respeito obtido dos alunos era enorme, e que se fazia valer de discursos desmoralizantes - as suas famosas "descomposturas" - entrou em nossa sala e anunciou, sem muita cerimônia, que eu havia sido escolhido como o melhor aluno das 7ªs séries da região sob a gestão da regional da secretaria estadual de educação. E, como prêmio, iria à Brasília assistir a posse do que seria então o último presidente do regime militar, João Baptista de Oliveira Figueiredo, que ocorreria em 15 de Março. Dona Aída até detalhou o programa: iríamos em grupos até o Mineirinho, em BH, seguindo depois para Brasília. Com tudo pago pelo Governo: viagem, hospedagem e alimentação!

Foi uma festa na sala de aula: gritos, risadas, alegria. A professora de Português, Dª. Maria José, veio cumprimentar-me. Os colegas remanescentes da sétima série fizeram um auê danado, levando uma "descompostura" de Dona Aída, claro. Eu me recordo de ter um pacote de Halls cheio, pois havia recém terminado o "recreio", e distribuí generosamente com a turma... Não sobrou nada!

Naquele dia cheguei em casa exultante: mal podia conter a alegria! Fui correndo contar para minha saudosa mãe, que ficou orgulhosa e radiante, obviamente. Qual mãe não ficaria? Passei os detalhes recebidos de Dona Aída, segundo a qual eu deveria procurar as orientações sobre a viagem na secretaria regional de ensino. Minha mãe, de pronto, já me avisou que precisaria de roupas novas, claro. E sapatos! Afinal, seria uma memorável viagem até a capital do Brasil!

Logo após o almoço fui apressado até a tal SRE, que funcionava em um prédio nos fundos da Praça Getúlio Vargas, logo abaixo da antiga rodoviária. Eu era ainda muito tímido, e ficava muito vermelho quando precisava falar com estranhos. Pedir informação, então, era uma tarefa e tanto! Falei com a mulher da recepção, que disse-me não saber de nada, mas encaminhou-me para um andar qualquer. Cheguei em uma sala com duas mulheres e contei alegremente minha história, perguntando o que deveria então fazer. Veio então o choque: bastante displicente, uma daquelas mulheres disse-me que havia ocorrido um engano. Não era eu o escolhido, mas sim uma menina do Colégio dos Santos Anjos - o mais reservado da cidade, onde só estudavam meninas da mais fina sociedade do sul de Minas!

O choque foi tamanho que mal consegui ficar sobre minhas pernas. Faltou voz. Secou a garganta. Umas lágrimas começaram a correr... Com a voz meio embargada, agradeci e saí rapidamente, mas deu tempo de ouvir a mulher comentar: "tadinho, ficou tão chateado!"... A distância até minha casa aumentou, o sol parecia mais quente, e um silêncio mortal tomou conta de mim. Cheguei em casa e contei o ocorrido para minha mãe, que me consolou e disse: "Calma, deve ter havido algum engano. Amanhã você fala com a Dona Aída e a Dona Zaíra" - então diretora da escola - "e tudo será resolvido, você vai ver".

A noite não chegava. O amanhã não chegava. Mal consegui dormir. Fui apressado naquele dia para a escola, desesperado para ouvir que a notícia era verdadeira, que eu viajaria, sim! Qual o quê! Falei com a Dona Aída, que ficou de ligar para a secretaria e esclarecer o assunto. Alguns dias se passaram, e nada! Até que a Dona Zaíra chamou-me em sua sala e explicou, candidamente, que realmente "haviam se enganado lá na SRE, pois a melhor aluna era mesmo do Santos Anjos". Percebendo minha decepção e tristeza, tratou de consolar-me, pois eu era tido em alta conta por ela. Mas pouco adiantou... Fui embora mais cedo. Cheguei em casa totalmente acabado. Não conseguia entender aquilo... Fiquei tão abatido que mal conseguia comer. Queria sair da escola, parar de estudar...

Minha mãe fez algo impensável naqueles tempos: disse para eu tirar uma folga na escola. Como estávamos perto do carnaval, ela mandou-me para o sítio da Dona Filomena - sua comadre - onde regularmente passávamos férias. Fui eu, minhas irmãs Rosângela e Maria Aparecida. Todos "matamos" alguns dias de aula!

Minha irmã Rosângela já tinha suas economias, das nossas vendas de pastel e da venda de panos de prato que pintava, e então comprou um LP com os sucessos internacionais da novela Dancin' Days, que tinha recém terminado. O Márcio, filho da Dona Filomena, tinha uma "eletrola" Phillips, à pilha, na qual aquele disco ficava tocando à noite, enquanto conversávamos ou simplesmente ficávamos sentados à porta da sala, olhando as estrelas e ouvindo o barulho dos raros carros que passavam na rodovia à beira do sítio. Foram poucos mas memoráveis dias, aqueles! E saudosos! E foi o meu prêmio de consolação por ter sido preterido (ou substituído) na lista daqueles quase 12 mil jovens que ouviram, no ginásio de esportes Presidente Médice, o presidente João Baptista de Figueiredo discursar de improviso, às 15 horas daquele 15 de Março de 1979, como noticiado na mídia (Veja aqui)...

Pouco tempo depois, quando já estudava eletrônica na ETEV, fique sabendo da providencial manipulação havida na secretaria, pois afinal de contas "não era para Varginha ser representada por um qualquer na posse do presidente": tinha que ser alguém da elite, ora bolas! Como um menininho franzino, sem "pedigree", sem a menor "classe", poderia fazer jus a tal mérito??!! Quanta audácia!!!

Hoje, ao ouvir músicas como Night Fever, Stayin' Alive (Bee Gees), que faziam parte de um Dancin' Days Medley das Harmony Cats, ou então Scotch Machine (Voyage), Rivers of Babylon (Boney M.) ou Automatic Lover (Dee D. Jackson), tais lembranças retornam bem claras. Lembro-me daqueles dias, do Márcio e da Dona Filomena, Dona Aída, Dona Zaíra e de minha mãe, todos já falecidos... Guardo como recordação um LP semelhante, comprado muitos anos depois em um sebo de discos em Curitiba. E a mágoa de ter sido enganado e humilhado, nos meus tenros quatorze anos de idade, pelo "sistema", em razão do orgulho besta e da falta de caráter de alguns poucos. 

Foi meu primeiro contato mais chocante com a corrupção, embora eu certamente não fazia a menor ideia disso, à época.