Google+ Followers

6.7.06

Voto 2006 - Manual do usuário (I)

Uma das formas de indignação que mais tem se manifestado ultimamente é a que prega o voto nulo como forma de expressar a insatisfação com o estado das coisas e com os políticos em geral, buscando provocar uma revisão - ou até mesmo a invalidação - das eleições.

Não vou entrar no mérito da questão legal, que já foi exaustivamente tratada (veja em
http://www.midiasemmascara.org) e cuja resolução é simples e direta: não há a menor condição de se invalidar, no Brasil, um processo eleitoral, caso haja uma maioria de votos anulados propositadamente pelos eleitores.

Vou abordar um único aspecto da questão, apenas o que eu considero o mais importante de todos. Como bem exposto em artigo do Percival Puggina (
http://www.puggina.org), é óbvio demais que a opção do voto nulo só favorece - exatamente isso, favorece - aqueles que não deveriam ser eleitos. Lógica e aritmética pura e simples: se você julga que os políticos atuais não são dignos de receber seu voto, então é porque você deve estar - ou se sentir - razoavelmente bem informado acerca de política. Se for assim, você deve ser imune a políticos carreiristas e aproveitadores, aqueles que apelam e abusam da maquiagem, do marketing e do populismo na época das eleições (e reeleições). Pois bem! Se você, de posse desse conhecimento - e "vacinado" contra os maus políticos - votar nulo, quem serão os eleitores que realmente votarão e elegerão os futuros representantes do povo? Aqueles que não tem essa capacidade, esse discernimento, certo? E pode-se supor, então, a "qualidade" dos eleitos... Serão justamente aqueles que não o deveriam ser: os maus políticos, casuístas, que apelam para o populismo, para o clientelismo e para o marketing e promessas descabidas nas vésperas das eleições. Aqueles cercados por 'cabos eleitorais' e 'correligionários' das piores espécies...

"Bem", você pode ponderar, " mas então, se eu não encontrar nenhum candidato adequado aos meus critérios, devo votar no 'menos pior'? Não é bem assim. O objetivo desse artigo é combater o voto nulo como voto de protesto. Votar nulo com consciência, analisando detalhada e profundamente os candidatos e submetendo-os a critérios rígidos de caráter - sobretudo honestidade, honra e verdade, capacidade, biografia, carreira, relacionamentos e formação, isso não é discutível. É uma opção válida e plausível. E é possível que, aplicando tais critérios, chegue-se à conclusão que o voto deve ser nulo, mesmo. Não sou partidário da idéia que, para tirar o Lula de lá, valha qualquer coisa. Isso foi exatamente a estratégia usada em 2002, para vencer as eleições. O famoso 'fator Lula' agindo na economia...Foi o que jogou o Brasil em um buraco do qual, a bem da verdade, ainda não saiu...

Então, use sua imensa capacidade de discernimento e raciocínio, pesquise, discuta, ouça e observe: você verá que ainda temos esperança, ainda restam-nos boas opções. Saiba diferenciar a informação da desinformação, os fatos das versões, a propaganda da contra-propaganda, o joio do trigo: eles terão que crescer juntos.

Pense bem, e vote! Pode ser que "o joio cresça, mas também o trigo, que frutificará em cem por um, e serão separados na época da colheita, e esse será levado para os moinhos, e aquele será lançado ao fogo."...

Bom voto em 2006!

Nenhum comentário: